QUINTA | 14 DE JUNHO 2018 - 20H00


cartaz 11 anos web cópiaTerminamos no próximo dia 14 de Junho de 2018, quinta-feira, o primeiro ano do novo ciclo de vida da Fábrica do Braço de Prata – o ciclo da entrada na legalidade. 
Como deixámos saber no ano passado no momento da comemoração do 10º aniversário, em 2016 a Câmara Municipal de Lisboa tornou-se finalmente proprietária do edifício da administração da antiga fábrica do material de guerra. Por isso pôde propor-nos um contrato de arrendamento que nos permite entrar definitivamente no mundo dos licenciamentos e dos alvarás. Se inicialmente a CML nos tinha pedido um valor de 12.000 euros mensal, acabou por reconhecer que tal valor iria asfixiar sem cura tudo aquilo que aqui temos conseguido fazer nos últimos dez anos. Por isso, com base numa pareceria a estabelecer com a EGEAC - no sentido de esta empresa municipal instalar uma estrutura permanente para concertos ao ar livre no parque de estacionamento - , a CML, pela voz do seu Vice-Presidente Dr. Duarte Cordeiro, acordou connosco uma renda a custo zero por tempo indeterminado. 
Claro que nos comprometemos diante da CML a aumentar significativamente o conjunto das contrapartidas que oferecemos à cidade de Lisboa. E apenas porque não paramos de inventar, quase todas as semanas, novas contrapartidas, não nos sentimos ainda prontos a assinar um contracto de aluguer com esta cidade maravilhosa que, de forma única, aceita proteger algo que nasceu como o mais frágil centro de artes privado alguma vez criado na Europa.
Há seis meses que adiamos o momento de assinar esse documento que virá selar o gesto que melhor define o estilo de fazer política da actual direcção da CML. De facto, apesar de a legislação sobre financiamento autárquico determinar que nenhum património municipal pode ser alienado ou cedido por aluguer sem ser segundo o seu valor de mercado, a direcção da CML fez aquilo que constitui a essência da decisão política: recusar o mercado como critério de valor e de verdade. Contra o império do mercado (que cada vez mais se revela afinal, não como um mecanismo de verdade e do valor justo, mas como totalmente minado por manobras muito mais obscuras e nocivas do que as luvas e os favorecimentos de políticos corruptos) o Dr. Duarte Cordeiro aceitou entrar numa economia de partilha comunitária de bens e serviços. A CML dispensa-nos do pagamento de uma renda e a Fábrica do Braço de Prata compromete-se a tornar possível mil e uma realidades a inventar no plano da criação artística, do pensamento e da cooperação comunitária.  
Oferecemos à cidade o programa mais completo e intenso de concertos (aproximadamente 50 concertos por mês) que se traduziram, ao longo de 11 anos, na transferência de mais de 2 milhões de euros dos bolsos do nosso público para os bolsos dos mais de 1.000 músicos que aqui tocaram nesse mesmo período. Pomos à disposição dos artistas plásticos 11 salas de exposição, sem cobrarmos qualquer percentagem sobre as obras vendidas. Como as exposições têm a duração de um mês cada, isso significa que continuaremos a receber por ano perto de 100 exposições de pintura, escultura, fotografia, vídeo. Resistiremos ao processo de encerramento das livrarias que define, na esfera da cultura, o efeito mais perverso da inflação imobiliária em Lisboa e Porto. A nossa livraria especializada em filosofia e ciências humanas (onde lutamos por ter toda a edição em língua portuguesa), graças ao valor zero da nossa renda, poderá manter a chama do livro impresso. 
Criámos este ano uma Escola de Música, que entrou em funcionamento em Setembro de 2017. Temos cerca de 20 alunos, dos 5 aos 50 anos. Esta Escola tem duas vertentes: o curso de Jazz e o curso de música clássica. Contamos com uma comunidade de professores excepcional, com uma ligação permanente ao programa de concertos da Fábrica. Para o próximo ano propomos oferecer várias bolsas a alunos da freguesia de Marvila que, de outro modo, não teriam condições para estudar música. 
Ainda em 2018 iremos oferecer 5 novas realidades à cidade. Em primeiro lugar, uma editora, sem fins lucrativos, dedicada à publicação de teses académicas na área da filosofia e das ciências humanas, mas também orientada para a inspiração ensaística e literária dos habitantes de Marvila. Em segundo lugar, uma escola para os filhos daqueles pais que, quer por estarem decepcionados com as experiências feitas com as escolas existentes, quer porque consideram que o tempo tomado com o ensino tradicional é asfixiante da alegria e da inteligência das crianças, preferem o regime do ensino doméstico - mas que querem evitar a solidão à qual muitas vezes esse ensino feito em casa condena os seus filhos. Esta escola será já iniciada em Setembro próximo. Em terceiro lugar, uma oficina de reparação, assim como de empréstimo de bicicletas, fazendo da Fábrica uma plataforma de reforço e amparo do crescente movimento que a CML tornou possível na nova ciclovia ao longo do Tejo, que liga Santa Apolónia ao Parque das Nações. Em quarto lugar, a criação de uma padaria com pão fresco e refeições inspiradas nas tradições gastronómicas da Grécia clássica. Essa padaria/restaurante irá abrir logo às 8h da manhã, e terá serviço permanente até às 8h da noite, tirando partido da caverna Platão e da esplanada Espinosa (totalmente renovadas). Por último a oferta de um curso livre de Filosofia Contemporânea, com sessões semanais e de entrada livre, a iniciar em Setembro, leccionado por especialistas nacionais e estrangeiros. Acreditamos que contribuiremos deste modo para atenuar o desprezo pela experiência do pensamento puro que muitos dos habitantes de Lisboa desenvolveram na sequência de memórias traumáticas vividas nas aulas da disciplina de Introdução à Filosofia no ensino secundário. 
Para além destas realidades a criar ainda em 2018, há muitas outras que continuam a ser preparadas. Basta referir a) uma estação de rádio, em frequência FM, com emissão de gravações de concertos feitos na Fábrica, entrevistas a artistas, noticiários alternativos, leituras de textos literários e ensaísticos, debates com especialistas sobre temas da actualidade ou completamente inactuais; b) uma universidade privada de pós-graduação especializada em filosofia política e estética. 
Estas serão as principais contrapartidas que queremos oferecer à cidade de Lisboa como reconhecimento pelo gesto da sua actual direcção municipal de nos dispensar de pagamento de uma renda no momento de assinarmos com ela um contracto que nos permita entrar, definitivamente, no mundo da legalidade. 
Por tudo isto, e para tudo isto, vimos convidar todos os amigos da Fábrica do Braço de Prata a celebrarem connosco o nosso 11º aniversário. 

O ARRAIAL DOS 11 ANOS DE FÁBRICA

Lançámos o convite aos músicos e actores que têm feito, ao nosso lado, a história deste lugar. Como sempre, bons companheiros de uma história feliz, aceitaram o convite e estarão dia 14 prontos para nos dar uma grande festa de aniversário!
Como abrimos o ano zero com licença de arraial, vamos honrar a única licença que até agora conseguimos obter e renovamos o estilo: sardinhada e churrasco a partir das 20h, happy moments de hora a hora com imperial a 0,50€ e mojito a 3€.

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