SÁBADO | 12 DE MAIO 2018 - 22H30

catarina dos santos

 

A música da Catarina dos Santos conduz-nos pela geografia humana que converge no Atlântico e no Mediterrâneo. Rádio Kriola é o reflexo de uma portugalidade que se veste demuitas roupagens, mas que desassumiu a sua própria mestiçagem. “Nós somos de todo o lado”, sussurra na voz da sereia, que nos faz percorrer uma cartografia feita dos poemas escritos nas salinas da nossa infância. Este álbum é dedilhado por uma “Menina-Barco”, título de um dos temas, com a participação dos Rapazis di V.A. e Chullage.
Menina que parte da periferia construída por mãos morenas, semba, kuduro e sal. Menina que ruma na proa do bairro, que Lisboa viu crescer até Nova Iorque, para compreender mundo, e lá conhecer mestres como John Pattitucci, Sheila Jordan, Paquito de Rivera... Recebeu um “Inverno Tropical” de Ondjaki e laborou um „Ondja”, lembrança da Avó 19. “Caminho” nasce da colaboração com Dom La Nena. “A Dancer’s Redemption” é fado dançado em lundu Marajoara. E continua “Ninita”, funaná, mais dança, “Minha Maria” nessa litania do porto que já não é abrigo, mas ponto cruz, candomblé que redime o espírito das carpideiras. “Redención - Lo Transparente”, com Raquel Rivera, palavras Porto Riquenhas com “iris de sal pulida”. “Canto do Pescador” nasce do trabalho com Toy Vieira, voz do tempo, canto de sereia esperado em terra. Um disco concebido em tom de manifesto porque “sou da terra branda, aqui se fala em silêncio”. Manifesto ou não, Catarina vive diáspora de menina barco que “traz um mundo no braço, uma história no rosto” e a latitude no coração.

 

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