SÁBADO | 16 DE SETEMBRO - 22H30

toscano

A música das palavras, fala por si: "Ricardo Toscano não é uma esperança do jazz que se faz em Portugal. Ricardo Toscano é a certeza de que o jazz que se faz em Portugal é 

muito mais do que uma esperança. Na história universal do jazz, não há país que não conte estórias de jovens músicos que quando começaram a tocar já eram maiores do que a vida que tinham vivido: Lee Morgan, Scott LaFaro, Clifford Brown, Nils-Henning Orsted Pedersen, Barney Wilen, Billie Holiday, Tony Williams, etc, etc, etc.. Por cá, tivemos ontem, como caso mais paradigmático, Bernardo Sassetti e o fenómeno colectivo dos irmãos Moreiras nos anos 80. E temos hoje Ricardo Toscano. Da sua biografia e currículo (tal como das dos seus notáveis companheiros de quarteto) falam outros textos. Mas do body & soul de Toscano (que é, ainda e sempre, o BI de um músico de jazz) urge adiantar já algumas breves notas. Em terra onde a música inexiste no ensino básico e secundário (nos últimos anos saltámos logo para o superior…), Ricardo Toscano começou num dos berços mais populares: as bandas filarmónicas. O seu primeiro instrumento foi o clarinete (clássico), de que se foi apartando à medida que conquistado pelo jazz – quando entrou para a Escola de Jazz Luiz Villas-Boas, do Hot Clube, aos 16 anos – se declarou ao saxofone (alto). Uma perda inimputável ao jazz que, na sua tendência genética para somar em vez de subtrair, mais tarde ou mais cedo será reparada. A estadia na escola do Hot foi curta: um único ano (já leva muitos mais a tocar no Clube…) bastou para dar o salto para a Escola Superior de Música de Lisboa, onde foi admitido aos 17 anos no “regime especial de sobre-dotado”. Cá fora, entre os músicos e os fiéis do Hot Club, o seu nome começou a ser uma espécie de senha: já ouviste o Toscano, um miúdo que é um espanto? E foi assim que também eu me espantei. A primeira impressão do primeiro encontro com Ricardo Toscano é a incredulidade – donde é que saiu este tipo? E a segunda também – como é possível tocar já assim aos 17 anos? (2010) Um assim triplo: tocar assim, com tão impressionante domínio expressivo do instrumento; tocar assim, com um tão raro conhecimento da gramática e síntaxe jazzísticas; tocar assim, em sucessivos e aparentes inesgotáveis saltos de maturidade a cada dia que passa. Na base de tudo está, à vista de todos os ouvidos, uma extraordinária e rara intuição (mas tal como o talento, sem suor a intuição não vai longe), a que há que juntar, ainda, incontáveis horas a ouvir e a tocar, sozinho e com os outros, que é, sempre foi e será, a melhor forma de crescer no jazz. E a verdade é que Toscano leva já muitas milhas de voo entre os maiores e os seus pares de geração. O calendário recente das suas solicitações, convites, gigs, concertos, jam sessions, discos, festivais é uma soma vertiginosa (ao ponto de o curso superior ter ficado, para já, entre parêntesis). Se há certezas no jazz, elas nunca estão certas: excelente em cartaz, nenhum concerto acima de qualquer suspeita está confirmado antes da subida ao palco, aí onde, ao contrário dos estúdios, não há rede. Felicidade a minha (?), a verdade é que nunca, até hoje, um concerto do Quarteto de Ricardo Toscano me falhou as expectativas – no Hot, no Angrajazz, no Estoril a excelência tornou-se um hábito (ainda por cima sem rotinas!) Tudo indica que assim deverá continuar a ser. Diz o ditado que, no mundo do jazz como nos outros, há gente que tem o futuro nas mãos. Sorte a nossa, o futuro tem o Toscano nas mãos." António Curvelo (Outubro 2015)

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